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O valor do humor
Artigo de André Urani publicado no Jornal O Dia em 31/10/2011.
O humor é um traço marcante da cultura carioca. Temos a piada pronta pra qualquer tipo de ocasião, somos tremendamente irreverentes e possuímos a rara qualidade de não nos levar muito a sério. Isto torna a atmosfera da cidade leve, gostosa de viver - a não ser, é claro, para os chatos que não se conformam em ser objeto das brincadeiras alheias. Esta é uma grande vantagem do humor: espanta os chatos. E, de quebra, atrai gente simpática, engraçada e criativa. Por si só, isto justificaria uma campanha pra divulgar nacional e internacionalmente a idéia de que o humor contribui tanto para a paisagem carioca quanto o Corcovado, Copacabana ou a Floresta da Tijuca. Abocanharíamos, assim, uma fatia das tribos criativas que ficam zanzando pelo mundo globalizado em busca de ambientes propícios para desenvolverem suas atividades, dando assim uma força pro desenvolvimento de um setor que hoje todos disputam a tapas e que tem a nossa cara. Mas não é só indiretamente que o humor pode ajudar a desenvolver a economia criativa em nossa cidade. Somos uma jazida inesgotável de profissionais talentosos nesta área: Jaguar, Millor, Ziraldo, Chico Anísio, Lan, Bussunda, Marcelo Madureira e a turma toda do Casseta e Planeta, Chico Caruso, Carlos Eduardo Novaes, Renato Aragão, meu vizinho de página Aroeira, Loredano, Claudius, e tantos outros. Vários deles não nasceram aqui, mas se resolveram viver aqui, alguma boa razão deve existir. Humoristas profissionais são artistas, e como todos os artistas têm dificuldade em se organizar. Uma exceção foi passeata contra a censura em Copacabana nas eleições do ano passado. Mas se fosse possível organizar minimamente esta galera, poderíamos sonhar em aproximá-los das cadeias produtivas. Ou seja, em disponibilizar para o resto do Brasil e para o mundo bens e serviços impregnados do humor carioca. A vantagem disto? É a de que ficaríamos com a maior parte do valor adicionado na produção destes bens e serviços - ainda que fisicamente ela se desse na China ou no Paraguai. Já temos uma porção de realizações nesta área na televisão, mas podemos ir muito além. Temos que botar as cabeças pra funcionar, e a Prefeitura - que elegeu a economia criativa como prioridade estratégica - tem toda a legitimidade para armar este processo.
http://odia.ig.com.br/portal/opiniao/html/2011/10/andre_urani_o_valor_do_humor_203013.html
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