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Iets na mídiaIncentivo ao empreendedorismoAntonio Matias Foi-se o tempo em que uma empresa podia se preocupar apenas com o resultado financeiro de curto prazo. Cada vez mais é preciso ser sustentável, garantir a perenidade de seu negócio - o que significa, entre outras atitudes, estar atento à relação com todos os públicos envolvidos com a companhia, desde os funcionários até os acionistas e a comunidade. Nessa relação, quero enfatizar a preocupação e a contribuição com o desenvolvimento das atividades dessas partes interessadas e, por que não, com o amadurecimento de determinados setores da economia nacional. Pensando nessas questões, a Fundação Itaú Social e o Banco Itaú decidiram criar, em abril deste ano, o Prêmio Itaú Apoio ao Empreendedor, com o objetivo de identificar e apoiar ações de Oscips (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) que fortalecem o segmento de microfinanças no país.
O Itaú, que já oferece ao mercado linhas de microcrédito, identificou na relação com organizações da sociedade civil uma boa oportunidade para orientar a aplicação dos recursos disponíveis a empreendedores de baixa renda, de forma a maximizar seu impacto no desenvolvimento socioeconômico de comunidades.
O papel da fundação é apoiar o direcionamento de recursos para Oscips operadoras de microcrédito.
A idéia do prêmio surgiu dentro do contexto nacional de incentivo à expansão desse setor, visando ampliar o acesso da população de baixa renda a serviços financeiros que permitam a geração de renda.
Por meio da iniciativa será possível mapear e premiar, dentro do universo de instituições registradas no país, aquelas que desenvolvem o melhor trabalho em suas regiões de alcance. Queremos, assim, estabelecer as bases para uma concessão de microcrédito mais ampla e sustentável, mas, antes de tudo, queremos buscar a mobilização de energias para tornar esse modelo mais efetivo.
Estamos certos de que o desenvolvimento socioeconômico do Brasil passa pelo fortalecimento de iniciativas empreendedoras que ainda carecem de estrutura e de serviços adequados.
Essa iniciativa está em linha não apenas com as necessidades brasileiras mas também com as diretrizes internacionais.
Mundialmente, duas grandes ações que envolvem o tema estão em curso: as atividades promovidas pela Organização das Nações Unidas, que decretou 2005 como o Ano Internacional do Microcrédito, e a tentativa dos países de cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Traçou-se uma rota ambiciosa para reduzir pela metade, até 2015, o percentual da população que vive com menos de um dólar por dia. E sabe-se que o crédito popular é um instrumento poderoso para atingir tal meta.
Mesmo antes dessa iniciativa, alguns países já tinham políticas sólidas em microcrédito. Outros correram contra o tempo para implementá-las. Mas, especialmente na América Latina, a grande maioria das pessoas continua sem acesso a serviços financeiros, o que dificulta o desenvolvimento das economias dessas nações. Estimativas levantadas pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) revelam que, no Brasil, existem 9,5 milhões de pequenos empreendedores e cerca de 13 milhões de pessoas físicas que ainda não têm acesso ao crédito formal.
O fato de essas organizações vencedoras estarem em regiões em que o acesso a serviços e produtos financeiros é mais restrito prova que este é um canal valioso para atender aos microempreendimentos. Mostra, ainda, que as organizações dessas regiões estão desenvolvendo um trabalho consistente de disseminar o crédito em suas localidades.
A escolha das finalistas levou em conta rigorosos critérios que incluem transparência, eficiência, sustentabilidade, foco e penetração, além de análise de "funding". Agora, serão realizadas visitas técnicas para avaliar in loco governança e transparência, metodologia de concessão de crédito, potencial de crescimento, público-alvo e área geográfica atendida, rentabilidade, qualidade de carteira, sustentabilidade e sistema de informação.
Para nos apoiar nessa jornada e fazer parte da comissão julgadora contamos com parceiros que atuam de forma intensa no apoio aos pequenos empreendedores: o Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), coordenador técnico do prêmio, e a Associação Brasileira dos Dirigentes de Entidades Gestoras e Operadoras de Microcrédito, Crédito Popular Solidário e Entidades Similares (Abcred). Além dos importantes apoios do Banco Central, do Ministério do Trabalho e Emprego e do Sebrae.
Antonio Jacinto Matias, 59, engenheiro de produção pós-graduado em administração de empresas, é vice-presidente do Banco Itaú e da Fundação Itaú Social e diretor-executivo da Febraban (Federação Brasileira das Associações de Bancos). Fonte: Folha de São Paulo, 1 de novembro de 2005.
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